O ano era 1986 e, com apenas 11 anos, eu vivia em um mundo onde a magia parecia estar presente em cada pequena coisa. Sempre que me lembro do passado, 1986 resplandece como um brilho especial na minha memória, um ano que se tornaria a moldura de uma infância cheia de alegrias.
Eu era um menino feliz, correndo pelas ruas da minha vizinhança com os amigos, jogando bola até o sol se pôr. As risadas e gritos de gol ecoavam pela vizinhança, e as tardes eram repletas de aventuras em que a única preocupação era o horário de voltar para casa. Na escola, a alegria se repetia: as aulas eram um porto seguro e a amizade era a ordem do dia, compartilhando segredos e sonhos com os colegas.
Antes de cada aula, eu me permitia um momento sagrado: a hora dos desenhos animados. A televisão se tornava um portal mágico, onde heróis ganhavam vida e as histórias se desenrolavam de forma encantada. Após esses momentos, voltava para a realidade, sempre com uma fome voraz. Mas, ah, como minha mãe era uma craque na cozinha! Ela sabia exatamente como transformar ingredientes simples em verdadeiras delícias. Nunca deixava minha fome durar muito tempo, e o cheiro de comida caseira preenchia a casa, criando um lar aconchegante.
E então, havia a Copa do Mundo. Meu coração batia forte ao saber que a dupla de ataque da seleção brasileira era formada por Müller e Careca, os craques do meu time, o São Paulo. Cada jogo era uma festa, um momento especial que compartilhava com familiares e amigos. Lembro particularmente do jogo contra a França, que assisti na casa do meu tio Mané, cercado pelos primos Samuel e Analu. O início daquela partida foi promissor, com uma triangulação magnífica entre Müller, Júnior e Careca, resultando em um gol que fez nossos corações saltarem de alegria. A euforia, no entanto, logo se transformou em desilusão quando a França empatou e ganhou nos pênaltis.
Mas o que realmente ficou marcado na minha memória não foi apenas a derrota. Ao final do jogo, o tio Mané, tentando nos animar em meio à tristeza, disse: "No final do ano, vamos para Santos, ver o mar." A promessa de um passeio, de uma nova aventura, acendeu uma faísca de esperança em todos nós, e mesmo diante da frustração, aquela frase trouxe um consolo inesperado.
Ah, 1986, tão longe no tempo, mas tão perto do meu coração. Esse foi um ano em que a inocência e a felicidade se entrelaçaram, um ano que ficará para sempre guardado nas páginas mais queridas da minha história. Entre memórias de jogos, risadas e aquele cheiro inconfundível de comida caseira, percebo que, mesmo anos depois, cada fragmento daquela época ainda ressoa com a mesma intensidade, trazendo um sorriso ao meu rosto e calor ao meu coração.
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