sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

A primeira vez que falei em público

Era final do ano 2000, e enquanto todos estavam ocupados se preocupando com o Y2K, eu estava me aventurando na política. Sim, porque você pode não ter medo do bug do milênio, mas imagine a pressão de falar em público e ainda por cima representar o Partido Comunista! 

Naquele dia, a ocasião era a inauguração do comitê de um partido aliado em Ribeirão Preto. Ao chegar lá, me deparei com uma plateia abarrotada de políticos de todas as idades, incluindo um ex-prefeito que parecia ter saído de um filme dos anos 70. Eu, por outro lado, estava mais nervoso que um gato em um canil.

Quando o cerimonialista me avistou, não deu nem tempo de fazer um rodopio e fugir (quem diria que "desculpa, fui pegar água" não funcionaria?). Ele me pegou pelo braço e me arrastou até a frente, junto com outros oradores. Minhas pernas pareciam gelatina, e o coração batia no ritmo de uma escola de samba.

Aí foi meu momento. Peguei o microfone, e com aquele fervor de quem vai salvar o mundo, comecei: "Boa noite...". Olhei para a plateia. Eles estavam tão atentos que eu me senti como uma estrela de Hollywood fazendo sua estreia. Fiz meus agradecimentos e fiz questão de parabenizar o tal partido pela nova sede. Aí, no grande clímax da minha eloquência, com um grande sorriso, pronunciei: "Desejo toda sorte ao PSB!" E entreguei o microfone como se tivesse acabado de ganhar um Grammy.

Só depois percebi que o partido não era PSB, mas PPS! Sim, eu havia misturado as siglas e ninguém, absolutamente NINGUÉM, na plateia fez menção de corrigir! Queria entrar numa caverna e nunca mais sair. Fiquei com a sensação de ser o novo meme do evento. Até hoje, quando alguém menciona o PSB, sinto um frio na barriga como se estivesse prestes a subir no palco de novo.

Ainda bem que, entre políticos, o que não falta é criatividade para fingir que tudo está bem. E assim, em meio a olhares cúmplices e risadinhas internas, eu segui, um pouco mais maduro e um bocado mais tímido na arte da oratória (e, com certeza, com um manual de siglas na mão). E vale lembrar: se um dia você for falar em público, verifique sempre o que está escrito na porta antes de entrar!

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