Ah, meu tio Mané! O eterno promissor de aventuras que nunca chegou a cumprir. Se tivesse uma medalha para o atraso, ele seria o campeão mundial, sem sombras de dúvida! Irmão da minha mãe e pai dos meus primos Analu e Samuel, tio Mané era a definição perfeita de diversão: sempre tinha uma piada pronta, um sorriso largo e histórias que mais pareciam roteiros de cinema.
Era engraçado como o tempo andava de forma diferente quando ele estava por perto. Quando batia à porta e se despedia, soltava a frase mágica: "Semana que vem passo aqui de novo." E olha, essa "semana que vem" era uma entidade tão real quanto um unicórnio em Hollywood. A gente esperava, contava os dias, e, quando menos esperávamos, cinco anos já haviam passado! Se tivéssemos uma máquina do tempo, provavelmente poderíamos ter encontrado o Mané varrendo a casa dele, ainda esperando a hora certa de aparecer.
E sempre foi assim. Conta a minha mãe que certa feita, nos idos de 1960, ele, menino, havia prometido à diretora da escola que tocaria o hino nacional num cavaquinho no dia da Independência. O problema é que ele não sabia tocar nem cavaquinho nem qualquer outro instrumento. O resultado foi que no dia a diretora da escola mandou buscar o "cavaquinista" em casa e o "artista" havia fugido, só voltando para casa no final do dia com o sempre presente sorriso no rosto.
Mas teve um episódio que desbancava todos os outros: o dia em que ele saiu de casa dizendo que ia ao mercado e, pasmem, só voltou três anos depois! Ele se perdeu em uma aventura digna de um filme de Hollywood, aceitando um trabalho de vendedor de sapatos no meio do caminho, e, como se não bastasse, foi parar em um garimpo no Pará! E ainda voltou, claro, com um sorriso no rosto e um presentinho (que na verdade era uma sandália de dedo) para os meninos. Com esse histórico, é até compreensível que nós, crianças, começássemos a achar que o homem tinha uma conexão mágica com o tempo.
Corria o ano de 1986, quando ele, do nada, prometeu a nós uma viagem a Santos! "Este ano vamos para Santos, de perua!", anunciou com toda a pompa. A partir daí, foi um festival de promessas e sonhos. "Quando chegarmos lá, vamos à praia e depois tomar um caldo de cana com pastel!" A gente não se cansava de fantasiar sobre aquela viagem. Imaginar o caminho repleto de risadas na perua, as brincadeiras, e a nossa política secreta de comilanças no mar.
Claro que a viagem nunca aconteceu. As promessas foram se estendendo durante uns três anos e, aos poucos, fui percebendo que as promessas do tio Mané não eram bem prazos e mais sim uma forma de sonhar — e isso, por si só, já era uma grande aventura. Eu aprendi que há pessoas que enxergam a vida pelo prisma do sonho, e nisso meu tio foi um mestre.
Tio Mané se foi em 2016, mas deixou um legado imenso: a prática do sonhar. Um dia nos reuniremos na praia de Santos, com caldo de cana e pastel em mãos, e quem sabe ele não apareça para dar risada e contar como se perdeu mais uma vez pelo caminho. Obrigado, tio, pelas promessas e pela magia de acreditar que a vida é cheia de possibilidades. Até breve, na praia do tempo!
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