quinta-feira, 2 de abril de 2026

O dia que acabou e eu me despedi ( Tomaz)

Você sabe qual foi o período mais feliz da sua vida? Eu sei, porque ecoa em mim como uma canção suave que se recusa a se apagar. Foram os meus anos de ensino médio no Tomaz Alberto, aqueles gloriosos anos dourados de 1990, 1991 e 1992. Dias leves como plumas, em que as risadas se misturavam ao grito dos meninos jogando bola no pátio e os sonhos eram tão palpáveis que podíamos tocá-los com as pontas dos dedos.

Cada canto daquela escola guardava uma história, um segredo sussurrado entre os corredores. A quadra com sua grande cúpula, majestosamente erguida, era o coração pulsante do lugar, onde aprendíamos a vencer e a perder, mas, principalmente, a nos unir em torno de um mesmo ideal. A biblioteca, um templo de conhecimento, me acolheu nos braços da literatura, revelando-me mundos desconhecidos e instigando meu amor pelas palavras.

Ah, os corredores! O cenário das nossas paqueras disfarçadas, onde o olhar penetrante de um amor não correspondido se cruzava com a cumplicidade de um sorriso. Lembro-me das tardes em que nos aventurávamos a fazer teatro, a criarmos um programa de rádio que ecoava a nossa voz, a organizarmos campeonatos que colocavam em prova não só a habilidade, mas a amizade e a rivalidade de uma juventude vibrante. Encanávamos aulas, sim, mas era a liberdade do conhecimento que buscávamos, sempre envolvidos em discussões sobre o futuro, sentados em roda, compartilhando nossos sonhos.

Ali, entre as risadas e a expectativa do porvir, semicerrados os olhos, vislumbramos médicos, engenheiros e professores em formação. E eu, inspirado pelo professor Gabarra, fiz a minha escolha: ser químico e, um dia, professor de química, como ele. Naquela época, a vida parecia um livro em branco, pronto para ser escrito com as mais coloridas tintas da esperança.

Mas tudo que é bom chega ao fim, e eu me recordo bem do último dia. Dezembro de 1992. Caminhei sozinho pelo prédio, meu coração pesado, mas repleto de memórias. A despedida estava ali, nas paredes que tão bem conhecia, nos risos que ecoavam como sussurros distantes. A sala de aula foi o último lugar. Quando o sinal tocou, todos se levantaram, como se aquela não fosse uma despedida, mas apenas um interlúdio na canção da vida.

Eu fiquei por último, sentado, observando cada detalhe. Era a última vez que veria aqueles rostos, aquelas mesas, aquele quadro negro que tinha sido palco de tantas histórias. Um pedaço de mim se despedia, mas não sem resistência.

Despertei com o grito do Evandro: “Oh, idiota! Vai ficar aí sentado? Vamos, o pessoal tá esperando". E, como um despertar do sonho, saímos todos juntos, subindo a rua em direção ao bar da esquina. Pedi uma Coca-Cola e saboreei um salgado, repetindo a rotina dos últimos três anos. Mas, ao mesmo tempo, aquela também era a última vez. O último retrato da simplicidade de uma juventude que, como eu, buscava seu lugar no mundo.

É engraçado como, ao olhar para trás, vejo que aquele período, com todas as suas incertezas e alegrias, continua vivo em mim. Os anos dourados de Tomaz Alberto, moldados em risadas, sonhos e despedidas, são cravados na memória como um tesouro que guardarei para sempre.

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