Você já se arrependeu de algo que fez? Eu já, e essa história conta um desses arrependimentos. O ano era 1988, eu tinha apenas 12 anos e estava na 6ª série da escola Musa, no Ipiranga, em Ribeirão Preto. Era uma quinta-feira, véspera de feriado, um desses dias em que a escola costuma estar vazia. Naquela manhã, disse para minha mãe que, ao invés de ir à escola, eu visitaria meu avô Ricardo, que morava do outro lado da cidade. E assim fiz: peguei um ônibus e fui.
Lembro-me de ter passado a manhã inteira com ele, almoçamos e batemos papo na varanda. Fomos ao quintal colher verduras para o almoço, momentos simples, mas cheios de significado. No entanto, o que ficou mais marcado na minha memória foi o nosso último diálogo. “Vô, preciso ir embora.” Isso deve ter sido por volta das 14h. Ele me respondeu: “Mas sua mãe disse que hoje você não teria aula e poderia ficar aqui. Amanhã é feriado”. A partir daí, o que fiz e disse se transformou em uma das maiores fontes de arrependimento da minha vida.
“Eu preciso ir porque combinei com uns amigos de estudar para uma prova na segunda.” Menti. Inventei uma desculpa porque queria voltar para encontrar minha namoradinha na praça. Assim, deixei meu avô, prometendo retornar no dia seguinte, no feriado. Contudo, acabei não voltando, como geralmente acontece quando deixamos promessas pendentes. Um ano depois, meu avô faleceu.
Hoje, o que eu mais gostaria era ter tido mais tempo ao lado dele, uma figura ímpar, repleta de histórias e lições para compartilhar. Como eu queria ter aprendido a pescar com ele, a tecer uma rede de pesca, a plantar uma horta, a jogar malha e a conhecer melhor sua história de vida, os tempos em que ele percorreu a Ribeirão antiga. Mas naquele dia, em que eu tinha a chance de vivenciar tudo isso, decidi ir embora, sem perceber que a vida é feita de momentos. Se não prestamos atenção, esses momentos passam, e ficamos à mercê da saudade e do arrependimento. É isso...
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